18 de abril de 2017

Participação de lucros ou resultados das empresas

Apesar de ter sido regulamentada pela Lei 10.101/2000, a Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) é um benefício que ainda gera muita rejeição por parte de empresas pelo fato de muitos empresários acreditarem que o repasse trará reflexos negativos em seus ganhos finais. No entanto, muitos analistas acreditam que esta forma de ganho para os trabalhadores pode trazer mais benefícios para as companhias.

Para o consultor em recursos humanos e diretor-executivo da Bazz Estratégia e Operação de RH, Celso Bazzola, a Participação nos Lucros ou Resultados resulta em ganhos de produtividade e de motivação no ambiente de trabalho, tornando estes pagamentos vantajosos para os empresários. Para entender melhor sobre a PLR, confira uma lista com as principais dúvidas respondidas por Bazzola:

O que é PLR?
A PLR é um modelo de remuneração que tem o objetivo de alinhar estratégias de uma empresa com os anseios dos colaboradores. O pagamento é feito após metas pré-estabelecidas serem atingidas. A ideia é fazer com que os resultados obtidos pela organização passe a ser de interesse a todos os envolvidos no processo, em uma relação de “ganha-ganha”, como explica Bazzola.

Prevista desde a Constituição de 1946, a Lei 10.101/2000 ampara este modelo de pagamento e não estabelece incidências de encargos trabalhistas. Para o especialista, este detalhe é o “que transforma essa opção atrativa, pois, além de direcionar as equipes ao resultado, seu custo tem menores impactos para empresa”.

Como a PLR é calculada?
Existe uma série de metodologias usadas para calcular o benefício. Por isso, é importante que a empresa deixe claro como a divisão dos pagamentos será realizada. A definição prévia dessa informação é um direito garantido por lei, existindo até mesmo um órgão responsável por esse tipo de fiscalização (Delegacia Regional do Trabalho). A PLR pode ser paga semestral ou anualmente, sendo o último modelo o mais usado pelas empresas.

O pagamento em uma parcela costuma ser feito entre os meses de janeiro e março. Como o próprio nome diz, o calculo pode ser feito a partir dos lucros ou dos resultados da empresa. Esta definição deve seguir o que for acordado entre empregador e sindicato.

Divisão deve ser igualitária ou proporcional aos salários?
A implantação da política de Participação nos Lucros ou Resultados deve seguir alguns preceitos legais, como se desenvolver por meio da representação dos colaboradores em um comitê, estabelecer metas atingíveis e claras para todos e criar indicadores mensuráveis. Segundo o consultor, o planejamento deve atender tanto aos interesses dos colaboradores quanto da empresa.

“A divisão deverá ser justa, porém refletir de forma clara e consistente os resultados atingidos por meio de indicadores corporativos e departamentais”, explica. O PLR pode ser desenvolvido com base no salário nominal ou em um orçamento predefinido. É importante lembrar que a metodologia deve ser igualitária, mas o valor pago nem sempre será o mesmo, já que os resultados por departamentos e individuais podem variar.
Definição de metas por área ou metas individuais?

O consultor acredita ser fundamental estabelecer metas por departamentos e individuais dentro da organização e sugere um modelo de acordo com os colaboradores. Nas metas por área, a equipe deve ser avaliada e remunerada pelo resultado em equipe, valendo o resultado geral do setor.

No caso dos objetivos individuais, a avaliação e a remuneração pode ser feita de acordo com a participação do colaborador com qualidade no processo e na execução das tarefas. Bazzola também lembra que devem existir indicadores coporativos que possam esclarecer o objetivo dos gestores da empresa em relação a todos os resultados.

Quais os impactos que ele proporciona nas empresas?
Para o consultor, a PLR propicia aos colaboradores o sentimento de fazer parte dos resultados da empresa e, consequentemente, obter um aumento em seus ganhos. Bazzola lembra que outra mudanças importantes é a possibilidade da empresa elevar seus resultados e manter seus custos fixos controlados, já que o modelo é pago somente quando os objetivos são alcançados.

O modelo pode contribuir para a criação de um espírito de equipe em torno dos objetivos estabelecidos, além da melhora da qualidade do ambiente organizacional, pois, segundo o especialista, os colaboradores se sentem mais valorizados.

Resistência em relação a pequenas e médias empresas
Segundo Bazzola, a rejeição em organizações de pequeno e médio porte pode ser explicada por conta dois motivos principais. Um deles é o desconhecimento da lei e de metodologias que revelam o quanto este modelo pode alavancar o negócios. O outro é a sensação de insegurança presente em muitos locais por conta de dificuldades nas negociações com sindicatos, já que o PLR só tem validade com a homologação junto a orgãos representativos. “Em minhas experiências com projetos de implantação de sistemas de PLR, posso afirmar que alguns sindicatos tem sido receptivos e participativos nas negociações”, explica o consultor.

Muitos empresários resistem ao repasse de lucros. Esse pensamento é errado?
“Sim, e isso ocorre por uma limitação de visão dos empresários”, opina Bazzola. Segundo ele, isso acontece pois muitos entendem que esta remuneração se tornará uma despesa sem retorno, “o que é um equivoco, pois todos os pagamentos são atrelados a metas estabelecidas, que devem ter o foco no retorno econômico da empresa”.
O consultor afirma ainda que uma das questões que também bloqueiam a implantação deste modelo em muitos momentos é a imposição sindical incompatível com a realidade econômica da empresa e seu mercado, embora esta visão venha mudando nos últimos anos por parte das empresas e sindicatos.

Quais os principais erros cometidos em relação à PLR?
O especialista lembra de alguns erros cometidos com frequência pelas empresas. Um deles é desenvolver metas que não sejam mensuráveis ou atingíveis. Em algumas situações, os empresários também estabelecem objetivos que não reflitam de fato no resultado final da empresa. Bazzola também lembra que a ideia de participação também deve estar presente no desenvolvimento e na aprovação do sistema, já que muitas empresas deixam os funcionários de fora desta etapa.

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